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Definição

Artrose ou coxartrose

A coxartrose, também conhecida como osteoartrite do quadril, é uma condição degenerativa que afeta a articulação do quadril. Caracteriza-se pelo desgaste progressivo da cartilagem articular que cobre as superfícies dos ossos na articulação do quadril, levando a dor, rigidez e diminuição da mobilidade.

Causas:

  • Envelhecimento: A degeneração natural da cartilagem com o passar dos anos.
  • Trauma: Lesões ou fraturas na articulação do quadril.
  • Genética: Predisposição genética pode aumentar o risco de desenvolver coxartrose.
  • Sobrecarga: Excesso de peso ou atividades que sobrecarregam a articulação do quadril.
  • Doenças Inflamatórias: Condições como a artrite reumatoide podem contribuir para o desenvolvimento da coxartrose.

Fatores associados:

  • Obesidade, aumento da expectativa de vida, maior demanda por esportes de alto impacto,
Definição

Causas

Primária:

  • Desconhecida, multifatorial.

Secundária:

  • Displasia (má formação)
  • Osteonecrose da cabeça femoral
  • Artrite reumatóide, espondilite anquilosaste e outras doenças reumáticas
  • Infecção
  • Sequela de trauma
  • Leg Perthes, epifisiólise
Definição

Quadro clínico

Dor na virilha que se agrava com o movimento e peso

Diminuição da amplitude de movimentos

Alteração na marcha e encurtamento do membro

Limitação progressiva das atividades de vida diária e da qualidade de vida

Tratamento

Clínico

Analgésicos e antiinflamatórios; derivados de opióides; derivados da canabis; condroprotetores; infiltração com ácido hialurônico; órteses

Tratamento

Cirúrgico

Osteotomias femorais – correção de deformidades do fêmur

Osteotomias acetabulares – melhora da cobertura da cabeça femoral

Artrodese – fixação cirúrgica da articulação do quadril

Artroscopia – cirurgia realizada por vídeo para correção de algumas patologias

Artroplastia de substituição total – tratamento definitivo para artrose avançada

HISTÓRIA

O início

A primeira cirurgia de prótese de quadril bem-sucedida é atribuída ao cirurgião britânico Sir John Charnley, realizada na década de 1960. Antes disso, houve várias tentativas e desenvolvimentos experimentais, mas foi Charnley quem fez os avanços mais significativos na artroplastia total do quadril.

O trabalho desenvolvido na Inglaterra no Wrightington Hospital estabeleceu o chamado “padrão-ouro” para os procedimentos cirúrgicos de substituição articular no quadril e os princípios por ele desenvolvidos se tornaram referência para cirurgiões e hospitais em todo o mundo.

Ele também introduziu o conceito de usar cimento ósseo (polimetilmetacrilato – PMMA) para fixar a prótese ao osso, o que ajudou a melhorar a estabilidade e a longevidade do implante.

A prótese desenvolvida por Charnley consistia em um componente acetabular de polietileno de ultra-alto peso molecular (UHMWPE) e uma haste femoral metálica, normalmente de aço inoxidável ou ligas de cobalto-cromo.

Os componentes principais da prótese de Charnley eram:

  1. Componente Acetabular: Um copo de polietileno fixado ao acetábulo.
  2. Componente Femoral: Uma haste metálica com uma cabeça esférica, geralmente de metal, que se encaixava no copo de polietileno.

O design de Charnley estabeleceu os fundamentos para as próteses modernas de quadril, com ênfase na biocompatibilidade dos materiais, técnicas de fixação e o uso de componentes modulares para melhorar os resultados e a durabilidade das próteses.

Tecnologia

A evolução das próteses

A evolução das próteses de quadril desde a introdução da prótese de John Charnley nos anos 1960 pode ser dividida em várias etapas e melhorias significativas.

Aqui está um resumo das principais inovações:

1. Prótese de Charnley (1960s)

  • Componentes: Haste femoral de metal e copo acetabular de polietileno de ultra-alto peso molecular (UHMWPE).
  • Fixação: Utilização de cimento ósseo (polimetilmetacrilato – PMMA) para fixar a prótese ao osso.
  • Impacto: Melhorou significativamente a mobilidade e reduziu a dor em pacientes com artrite de quadril.

2. Próteses Não Cimentadas (1970s-1980s)

  • Componentes: Introdução de hastes femorais e copos acetabulares de metal poroso que permitem o crescimento ósseo direto na prótese.
  • Fixação: Técnica de fixação biológica, onde a prótese é fixada diretamente ao osso sem cimento.
  • Impacto: Redução do risco de soltura da prótese associada ao desgaste do cimento ósseo.

3. Melhorias nos Materiais (1990s)

  • Componentes: Uso de cerâmica para a cabeça femoral e polietileno altamente reticulado para a cúpula acetabular.
  • Benefícios: Redução do desgaste, maior durabilidade e melhor biocompatibilidade.

4. Próteses Modulares (2000s)

  • Componentes: Sistemas modulares que permitem a personalização da prótese para melhor ajuste anatômico.
  • Benefícios: Melhor adaptação ao paciente, menor risco de luxação e possibilidade de revisões mais fáceis.

5. Superfícies de Atrito Melhoradas (2010s)

  • Componentes: Introdução de superfícies de atrito cerâmica-cerâmica, metal-metal e cerâmica-polietileno altamente cruzado.
  • Benefícios: Redução ainda maior do desgaste e aumento da longevidade da prótese.

6. Tecnologia Atual (2020s)

  • Componentes: Uso de materiais avançados como titânio para hastes femorais e componentes acetabulares. Desenvolvimento de técnicas de impressão 3D para próteses personalizadas.
  • Fixação: Melhoria contínua na fixação biológica e técnicas de revestimento de superfície para promover o crescimento ósseo.
  • Benefícios: Maior precisão na colocação da prótese, menor tempo de recuperação e melhoria na qualidade de vida dos pacientes.

Principais Inovações e Tendências Recentes

  • Impressão 3D: Criação de próteses sob medida para pacientes individuais, melhorando o ajuste e a função.
  • Robótica e Navegação Assistida: Técnicas cirúrgicas guiadas por robótica para maior precisão na colocação da prótese.
  • Bioengenharia: Desenvolvimento de superfícies e materiais que promovem a integração óssea e reduzem o risco de infecção.

A evolução das próteses de quadril tem se concentrado na melhoria da durabilidade, biocompatibilidade e personalização para cada paciente, resultando em melhores resultados funcionais e qualidade de vida para aqueles que necessitam de artroplastia de quadril.

Desenvolvimento

A prótese de recapeamento

A prótese de recapeamento de quadril, também conhecida como “resurfacing”, começou a ganhar popularidade nas décadas de 1970 e 1980. Esse tipo de procedimento foi desenvolvido como uma alternativa à artroplastia total de quadril, especialmente para pacientes mais jovens e ativos, que desejavam preservar mais do osso natural do quadril.

Histórico da Prótese de Recapeamento:

  1. Década de 1970:
    • Primeiros Desenvolvimentos: Os primeiros projetos de próteses de recapeamento surgiram durante essa década. Esses primeiros designs tinham limitações significativas em termos de durabilidade e biocompatibilidade dos materiais.
  2. Década de 1980:
    • Aprimoramentos: Durante os anos 1980, houve avanços nos materiais usados, incluindo o desenvolvimento de ligas de metal mais adequadas e técnicas de recapeamento mais eficazes. No entanto, os problemas com desgaste e a soltura dos componentes ainda eram comuns.
  3. Década de 1990 e 2000:
    • Tecnologia Moderna: A introdução de novas ligas de cobalto-cromo e avanços nas técnicas cirúrgicas melhoraram significativamente os resultados do recapeamento de quadril. Procedimentos como o Birmingham Hip Resurfacing (BHR), desenvolvido por Derek McMinn no final dos anos 1990, tornaram-se populares devido aos seus resultados promissores em termos de durabilidade e preservação óssea.
  4. Desafios e Evolução Recente:
    • Problemas de Desgaste: Embora o recapeamento de quadril oferecesse benefícios em termos de preservação óssea, surgiram preocupações sobre o desgaste dos componentes metálicos e a liberação de íons metálicos no corpo, o que levou a uma reavaliação do procedimento.
    • Novos Materiais: A pesquisa continua a melhorar os materiais e técnicas para minimizar esses problemas e melhorar a longevidade dos implantes de recapeamento.

O recapeamento de quadril permanece uma opção viável para pacientes jovens e ativos que desejam preservar o osso natural e adiar a necessidade de uma artroplastia total de quadril. As melhorias contínuas nos materiais e nas técnicas cirúrgicas continuam a aprimorar os resultados para esses pacientes.

Indicação

Quando operar?

Indicações para Cirurgia de Coxartrose:

  1. Dor Intensa e Persistente:
    • A dor severa que interfere significativamente nas atividades diárias e na qualidade de vida, mesmo após o uso de medicamentos, fisioterapia e outras terapias conservadoras.
  2. Limitação Funcional:
    • Diminuição substancial da mobilidade do quadril, dificultando tarefas cotidianas como caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira e vestir-se.
  3. Resistência aos Tratamentos Conservadores:
    • Falha dos tratamentos não cirúrgicos, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), injeções de corticoides, fisioterapia, perda de peso e modificações no estilo de vida, em proporcionar alívio adequado da dor e melhora da função.
  4. Deformidade Articular:
    • Deformidades progressivas do quadril que causam instabilidade ou desalinhamento, detectadas através de exames clínicos e radiográficos.
  5. Qualidade de Vida Comprometida:
    • Quando a coxartrose afeta significativamente a qualidade de vida do paciente, causando sofrimento emocional, depressão ou incapacidade de realizar atividades sociais e de lazer.

Polêmica

Qual a idade ideal?

Indicações para Cirurgia de Coxartrose

A idade é um fator importante na indicação de artroplastia de quadril, mas não deve ser considerada um impedimento absoluto. Em vez disso, a decisão deve ser baseada em uma avaliação abrangente do estado de saúde geral do paciente, do nível de dor e incapacidade, e da expectativa de vida funcional da prótese. Aqui estão algumas considerações específicas sobre a idade e a artroplastia de quadril:

Pacientes Jovens (Menos de 50 Anos)

Considerações:

  • Preservação Óssea: Em pacientes mais jovens, há uma preocupação maior com a preservação do osso natural e a durabilidade da prótese, dado o maior tempo de uso esperado.
  • Atividade Física: Pacientes jovens tendem a ser mais ativos, o que pode aumentar o desgaste da prótese.
  • Revisões Futuras: Existe uma alta probabilidade de que esses pacientes precisarão de uma ou mais cirurgias de revisão ao longo da vida, pois as próteses atuais têm uma vida útil limitada, mesmo as mais avançadas.

Indicações:

  • Recapeamento do Quadril: Pode ser considerado para pacientes jovens ativos, pois preserva mais osso natural e permite um estilo de vida mais ativo.
  • Artroplastia Total do Quadril: Indicada quando a dor e a limitação funcional são severas, e outras opções de tratamento falharam. A escolha dos materiais e técnicas pode ser feita para maximizar a durabilidade da prótese.

Pacientes de Meia-idade (50-70 Anos)

Considerações:

  • Equilíbrio entre Durabilidade e Função: Para esses pacientes, o objetivo é encontrar um equilíbrio entre a longevidade da prótese e a restauração da função.
  • Condições Comórbidas: As condições médicas coexistentes, como diabetes ou doenças cardíacas, devem ser cuidadosamente avaliadas.

Indicações:

  • Artroplastia Total do Quadril: É a opção mais comum. Os avanços nos materiais, como cerâmica e polietileno altamente reticulado, ajudam a aumentar a durabilidade da prótese.

Pacientes Idosos (Mais de 70 Anos)

Considerações:

  • Saúde Geral: A condição de saúde geral do paciente e a expectativa de vida são fatores cruciais. A capacidade de tolerar a cirurgia e a reabilitação deve ser avaliada.
  • Nível de Atividade: Pacientes idosos geralmente têm um nível de atividade mais baixo, o que pode reduzir o desgaste da prótese.

Indicações:

  • Artroplastia Total do Quadril: É frequentemente indicada para melhorar a qualidade de vida, aliviar a dor e restaurar a mobilidade. A cirurgia pode ser altamente benéfica, mesmo em pacientes mais velhos, desde que estejam em boas condições gerais de saúde.
  • Artroplastia Parcial do Quadril: Pode ser considerada em alguns casos específicos, como fraturas do quadril, mas é menos comum para osteoartrite isolada.

Considerações Gerais:

  • Avaliação Multidisciplinar: Uma equipe composta por ortopedistas, geriatras, cardiologistas e outros especialistas pode ajudar a determinar a aptidão do paciente para a cirurgia.
  • Reabilitação Pós-operatória: A capacidade do paciente de participar e se beneficiar da reabilitação pós-operatória é um fator importante para o sucesso a longo prazo da artroplastia.
  • Expectativas Realistas: Pacientes de todas as idades devem ter expectativas realistas sobre os resultados da cirurgia, incluindo a possível necessidade de revisões no futuro e o nível de atividade que podem manter com a prótese.

Conclusão:

Embora a idade seja um fator importante na decisão de realizar uma artroplastia de quadril, não deve ser um impedimento absoluto. Cada paciente deve ser avaliado individualmente, considerando sua saúde geral, nível de atividade, e os benefícios e riscos potenciais da cirurgia. A escolha do tipo de prótese e técnica cirúrgica deve ser personalizada para maximizar os resultados funcionais e a qualidade de vida do paciente.

Mais polêmica

Fatores limitadores

  • Obesidade e condições neuromusculares.
  • Cirurgias prévias.
  • Deformidades ósseas.
  • Protrusão acetabular (desgaste no fundo do acetábulo).
  • Displasia acetabular (pouca cobertura da cabeça femoral).
  • Sequela de fraturas.
  • Presença de material de síntese.
  • Musculatura muito desenvolvida.
  • Grandes encurtamentos (risco de lesão neuromuscular).
  • Artrodese/anquilose (articulação rígida).

Os perigos

Complicações

  • Instabilidade/luxação da prótese (1 a 10%).
  • Infecção (0,2 a 5%).
  • Fraturas (2%).
  • Lesão nervosa (1 a 2%).
  • Lesão vascular (0,2%).
  • Dismetrias >1cm (1 a 10%).
  • Ossificação heterotopia (3 a 6%).
  • Trombo-embolismo (1%).
  • Complicações cardíacas, AVC.
  • Complicações anestésicas.

O maior índice de complicações ocorre com cirurgiões que realizam menos de 20 artroplastias por ano.